23 de janeiro de 2012

Mudanças de Uma Vida

Bom, tinha um conto que eu escrevi que sempre quis publicar, então vou escrever devagarinho aqui no blog, por partes, é um pouco infantil mas escrevi quando tinha uns doze anos por aí, então...paciência...

Capítulo 1

Os tilintares dos copos ecoavam pelo salão, assim como a valsa que tocava ao fundo, embalando diversos casais que bailavam lentamente conforme o som da melodia.
Os convidados estavam encantados com a festa que madame Ludoro havia oferecido ao filho recém casado. 
-Que bela festa! - Comentou Beatrice a sua irmã mais nova.
-Certamente! Um linda festa e um lindo casal...Hum, vou pegar uns docinhos daqueles, já volto... - Rebeca deu um largo sorriso, demonstrando afeição.
Beatrice apreciava a vista de lindas rosas colocadas sobre o palco, onde uma orquestra tocava harmoniosamente diversas valsas.
Aquele era o evento do ano e estava feliz por sua amiga Carol que acabara de desposar-se com o privilegiado filho de madame Ludoro, um dos mais ricos do país.
Beatrice estava perdida em seus pensamentos e não notou quando um jovem se aproximou e pôs-se a falar:
-Beatrice Cameron! - Disse num ar impiedoso. - Creio que nestes anos tem se especializado muito em sua nobre posição de espiã do governo.
Beatrice olhou-o com raiva:
-Não tanto como Vossa Senhoria tem se especializado em assaltar bancos, senhor Truul, ou devo dizer, Chefão?- Beatrice fitou-o por um instante e deu de ombros. 
-Veja bem senhorita Cameron! - Truul fez menção de virá-la para que ficassem frente a frente.
-Não ouse tocar em mim com suas mãos podres. - Beatrice olhou para o resto da festa que ainda não havia notado a discussão. 
Beatrice falou num tom baixo: 
-Acho que essa não é a hora nem o local para discussões. - Beatrice pegou a bolsa a fim de ir embora.
-Se está com medo, senhorita Cameron, não é preciso disfarçar. - Disse com cara de desdém.
Essa foi a gota d'água para Beatrice, que sem avisos prévios, fechou seu punho e deu um soco contra Truul, fazendo-o cair no chão.
A música parou e a atenção de todos voltou-se para Truul que limpava com um lenço o sangue que escorria pelo seu nariz:
-Imbecil!-Disse Truul levantando-se.
Beatrice suspirou envergonhada e deixou o salão batendo a porta com força. Antes de partir olhou de relance para Truul e pensou "Isso não sairá barato Truul, não mesmo!", teve tempo de balbuciar à madame Ludoro:
-Me perdoe, mas este cavalheiro tentou me atacar....Venha Rebeca, já basta por hoje! - Se dirigindo à irmã com uma cara de impaciência.
Beatrice sentou relaxada na poltrona da carruagem de aluguel enquanto olhava fixamente para Rebeca, que um pouco assustada, olhava a paisagem pela janela:
-Acho que lhe devo uma explicação, não?- Disse Beatrice ao observar a cara carrancuda da irmã.
-Se acha que não precisa dar esclarecimentos sobre esta noite...-Rebeca fitou Beatrice.-Irei entender perfeitamente.
Beatrice balançou a cabeça negativamente:
-Não. Acho que devo contar-lhe um pouco mais sobre a minha profissão, mas...-Beatrice olhou para o cocheiro.-Aqui não é o melhor lugar.
Rebeca concordou e olhou para fora, esperando ansiosamente chegar em casa. 
-Estou ansiosa para saber os mistérios de Beatrice Cameron! 
Ambas riram descontroladamente, mas foram interrompidas pelo cocheiro:
-River Street, aqui estamos, são vinte e três dólares.
Beatrice abriu o portão, e o que se via era uma linda mansão, pintada com um suave tom de amarelo. Antes da porta de entrada encontrava-se um lindo jardim, com orquídeas, hortênsias, primaveras e inúmeras espécies de plantas, mas o que mais se destacava era um canteiro de rosas vermelhas e brancas que contornavam toda a casa.
A porta da frente era talhada em mogno e feita sob encomenda para a mansão, por um marceneiro holandês famoso, que talhou com incrível perfeição inúmeras rosas destacadas através de um mosaico em cerâmica italiana, se difundindo com pedras escocesas, que eram completadas por cristal, que havia sido esculpido em formato de ondas pelo próprio marceneiro, dando delicadeza à porta.
No alto da mansão, encontravam-se as janelas, feitas do mesmo material da porta. Embaixo de cada janela destacava-se um canteiro esculpido em mármore, que abrigava, dentre muitas flores raras, uma linda flor roxa do deserto. Beatrice adorava ficar observando flores, por isso tinha uma coleção incrível em seu jardim. 
A sala de Beatrice foi planejada inteiramente por ela e sua irmã. Os porta retratos davam sensibilidade a casa, emoldurando fotos de seus pais, já falecidos. 
O piso verde-bebê combinava com as paredes chamuscadas num tom mais escuro de verde, essas que se enfeitavam com quadros de diversos artistas, que presentearam Beatrice em seu aniversário.
Beatrice pendurou sua bolsa e largou-se no sofá, passando a mão sobre sua face, tentando amenizar a enxaqueca. Sua irmã sentou ao seu lado e olhou-a com pena: 
-Mandei que Gina preparasse um chá para nós, afinal, foi um dia cansativo o que passamos. -Respirando fundo, olhou para o lado, tentando disfarçar a curiosidade.
Beatrice fitou-a por um instante.-Eu realmente trabalho em algo secreto.-Beatrice estava cochichando e Rebeca teve que chegar mais perto para ouví-la:
-Eu trabalho para o Serviço Secreto Americano, a Float.
Rebeca deu um berro:
-Você o que?!
Beatrice pôs o dedo indicador sobre os lábio da irmã. -Eu trabalho para o governo, a Float, um orgão do serviço secreto, mas secretamente, entende?
Rebeca olhou-a por alguns segundos com os olhos arregalados. - Sabe que pode morrer fazendo isso, não é?- Rebeca fez uma expressão furiosa.
-Acho que já sei me cuidar muito bem sozinha Rebeca, ou acha que ainda sou aquela menina mirrada que era?
Rebeca elevou a voz:
-Sabe o que a mamãe acharia se soubesse disso?
Beatrice pôs-se de pé e olhou furiosa para a irmã. -Mamãe está morta e temos que cuidar de nossas próprias vidas agora, ninguém mais vai nos proteger, é cada um por si!
Uma lágrima escorreu dos olhos de Rebeca que silenciosamente olhou a irmã.
Beatrice sentou-se novamente, abraçou a irmã e ambas choraram abraçadas.
Beatrice sussurrou no ouvido da irmã: 
-Eu sempre estarei aqui, aconteça o que acontecer, você me apóia?
Rebeca limpou as lágrimas do rosto, e com um mero sorriso, segurou as mãos da irmã entre as suas:
-Desculpe, Be, acho que me descontrolei....É claro que eu te apóio sempre vou estar aqui também, e prometo que nunca nos separaremos.
E então Gina apareceu, trazendo uma bandeja com chá de camomila e algumas bolachas amanteigadas: 
-Aconteceu algo, senhorita Cameron?
Beatrice respondeu com um sorriso:
-Não Gina, está tudo bem...são apenas...bobagens da vida...
                           

19 de janeiro de 2012

Crônicas do Livro Azul

                                                                                                                                     Para a Felicidade 
     
Minha vida está de cabeça para baixo. Não posso dizer porque, mas está. Todos os dias pessoas como eu, como você, tentam entender ao menos o que estão fazendo por aqui. Alguns dizem que quando se encontra a felicidade, tudo se encaixa, descobrimos o sentido da vida e vivemos felizes, felizes para sempre. Esse caminho, no entanto é longo e não pode ser alcançado por todos. A felicidade é um conceito que segue os princípios da desigualdade social, se todos forem felizes, o mundo não funciona, alguém deve ser triste para que uma minoria possa ser, de fato, feliz. Percebi que a busca pela felicidade é extremamente importante e não querendo ser clichê, mas existencialmente, Guimarães Rosa estava certo. A busca pela felicidade e a busca pelo eu, deve ser feito por você, sozinho. Ninguém alcança a felicidade em conjunto. A felicidade já está lá e daí há a junção de duas felicidades que fazem com que você se torne ainda mais feliz. Só que existem dois tipos de felicidade; a felicidade daqueles que você ama porque sempre fizeram parte da sua vida e aquela que você alcança com alguém que você conhece um pouco depois de ter nascido. Mas as felicidades são diferentes. Ainda que você seja feliz, se sentirá infeliz se quiser a outra felicidade e não puder alcançá-la. A felicidade estabelecida por aqueles que já faziam parte da sua vida se torna um felicidade que você sempre teve e que faz parte de você, mas a felicidade alcançada junto àquele que te promete o mundo e seu coração, faz com que você se sinta incompleta sem ele, é um vazio que nem mesmo aquele que compartilhou seu nascimento não poderá preencher e no fundo todos sabemos disso, somente fingimos não saber, esquecemos de propósito para não sermos pegos de surpresa pela busca de felicidade de pessoas que amamos e sempre pensamos que o amor que doamos, durante uma vida inteira bastaria para que aquela pessoa fosse feliz. Só que a busca pela felicidade é subjetiva. Sempre foi e sempre será. Cabe à nós aceitarmos e sermos suficientemente compreensivos para aceitar que talvez a pessoa ao nosso lado esteja somente buscando sua felicidade e não somos melhores ou superiores ao ponto de impedir que essa busca ocorra, nem mesmo se isso não nos agradar. O agradável é fazer com que aqueles que amamos sintam-se livres o suficiente para sempre nos querer por perto, mesmo estando distantes. Se um dia, a distância se transformar em necessidade não foi a perda do amor que ocorreu. Foi apenas a busca pela outra felicidade que teve início.               

22 de dezembro de 2011

Vegetarianismo.....Continuamos na luta

Você faria uma coisa dessas? É o que fazem
toda vez que você come bacon
Quatro anos é bastante tempo, sério....Ufa, já fazem quatro anos que sou vegetariana, parece que o tempo passou muito rápido e eu nem percebi. Neste ano foram bilhões de explicações, principalmete no meu trabalho rs toda pessoa nova que eu conheci tive que explicar novamente porque sou vegetariana e como faço para substituir (as perguntas de sempre). Este ano porém, descobri coisas interessantes, como por exemplo que Paul McCartney e sua esposa sçao vegetarianos, bem como Pitágoras, Eisten e vejam só, titio Leonardo também...Deve haver um motivo ao menos racional para que uma entidade como Eisten tenha chegado à conclusão que chegou (veja a imagem abaixo. Isso comprova que o vegetarianismo não é por acaso e o clamor de nós, vegetarianos por um consumo ameno de carne, não é mera frescura como dizem alguns. Nosso pensamento sim é racional, somos contra o abate excessivo. Eu, particularmente, não vejo problema algum em uma família que cria para consumo próprio uma vaca, um boi, uma galinha. Sou contra a matança desumana e excessiva dos matadouros. O Ser Humano come muita carne sem pensar de onde ela veio. Como eu sempre digo, se todas as vezes que alguém comesse carne, houvesse um videozinho de um frigorífico passando ao lado, o consumo diminuiria e muito. Não adianta, no entanto, criticar sem argumentação, é necessário respeito, acima de tudo.
Neste Natal, pense, que enquanto você come três tipos diferentes de carnes, alguém, em algum
lugarzinho do mundo nem liga que é Natal, pois não tem nem sequer uma alface para comer.
Bom Natal à todos, até o ano que vem, com mais crônicas, debates e discussões!

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19 de dezembro de 2011

Poesias da Rua de Baixo

Para Rosa e Sergio


Olha, tinha tantas poesias que eu escrevi quando eu era pequena, perdidas por aí, que resolvi por tudo junto aqui...Não julgue, tinha dez anos quando escrevi...rs


As Ondas do Mar
O sereno no mar traz o frio
O mar não se importa
Ele não é rio (e diz)
Onda já morta
Não surpreende o bastante
Pode não ser tolerante
Mas sabe o rio ensinar
Pois a sabedoria dele se encontra
Se concentra nas ondas do mar
E cada curva é um ensino
Cada balanço um destino
Sabedoria tem a onda
A onda da água do mar
Tem muito a nos contar
Mas fica quieta, calada
Vendo o transeunte passar
Pois sabedoria tem mesmo
Quem vive nas ondas do mar




Diga o que se quer ouvir

Diga apenas o que se quer ouvir
É o que mais vale a pena
Não diga que o tempo já passou
Não diga que o vento consigo levou
Diga apenas o que se quer ouvir

Por Isso

Diga que amanhã o Sol vai brilhar
Que tudo não vai acabar
Diga que a Lua vai aparecer
Que eu não vou sofrer

Sonhe com o que quiser
Mas diga, diga o que quer
E quando falar bem alto
Repita
Diga apenas o que se quer ouvir
Seu nome no asfalto
Maldita
Diga apenas o que se quer ouvir
e quando não puder mais dizer
Acabe com essa  vida



As Reais Causas do Abandono

As estrelas que lá se fixam
No céu apenas ficam
Ficam paradas no céu imenso
Guiadas apenas pelo som, denso
Não iludidas
Apenas incompreendidas
E inebriadas com toda a desgraça
Olham o mundo como uma farsa
Com enorme desaprovação
Mas com mero desapontar
Pois o mundo faz menção
De chegar num certo ponto de explodir
E apenas as estrelas veem
Mas logo param de rir
Mas não de desprezar
Pois o ser humano que cresceu
Hoje o mundo ele vai matar
E vai tomar tudo que é seu
Ai mundo, imundo, tenha bom senso e mude pra ser
Pequeno planeta a se desfazer
E não tome o caminho errado
Siga em frente, siga desalmado
E mude-se daqui, a via láctea, deixe ela aqui
E vá à outra, pois essa costuma não servir
E estrelas, ah estrelas, parem de rir...
Esse mundo, ainda tem jeito?
Da Groelândia ao Chile estreito
Ah..não tente mudar o mundo, não tem jeito...
Apenas tente, o torne melhor
Se é que é possível
Tornar algo menos pior...


Ação Conjunta Do Ser e Do Amado.


Olhe pra janela, observe a rua.
Veja que cada um tá na sua.
Milhares e milhares de pessoas,
Todas cheias de paz.
Quem quer mudar o mundo,
É aquele que menos faz.
Várias coisas aconteceram,
Há muitos anos atrás.
Só que o ser humano tem memória fraca,
E nunca olha pra trás.
Esquece o que aconteceu.
Pois o passado pra ele morreu.
Tudo acontece no presente
Do almoço ao presidente
Só que deixamos pra lá nossos atos
Mas esquecemos que o futuro
Será feito de fatos
Que no presente construímos
E que lembramos no passado
E você? Nunca abusou, apenas espera nascer?
Depois do dito, ué
Oras, o dito não importa, o dito ficou pra trás
Como o dedo prendido na porta, o passado não o apraz.
Veja, se amputar-te um membro, não se importará suponho.
Claro que sim, está brincando, ou é um sonho?
Sonho é não saber o que diz, antes afirmava que sem o passado estava feliz no entanto não esquece
                                                                                                                  [de pequeno fato infeliz?
São coisas diferentes, refiro-me a ficar doente.
Nem sabes o que diz, te desprezo, cuide de seu próprio nariz.
Pois ouça aqui, voz da sabedoria: Não disse que somente esqueço, apenas que de algumas coisas
                                                                               [não lembro, finjo que esqueço pra poder viver
A dúvida sempre tem cor, e vejo que esta é negra, negra como sua cor...
Ora, ofende-me com essas palavras, chamarei meu advogado, está na maior cilada!
Não, a ofensa ficou para trás, segundo o senhor disse, isso não importa mais, faça-me o favor,
                                                                                                  [está usando isso contra o senhor!
Ah, não me encha, faça favor!
De nada entende pura e simples alma, estude mais e depois me diga com calma.
Ora está bem, concordo, estou errado...se eu concordar, quem sabe fique calado? Oh, sinto-me gelado!
                                           [não consigo respirar, acho que estou morrendo, este é meu ultimo suspirar?
Nem lembro-me de seu nome, aliás sua morte daqui a alguns segundos será passado, e o senhor será
                                                                                                                              [apenas enterrado
Tudo bem, como últimas palavras, admito meu erro, não, não faça meu enterro...Entendi que tudo                                        [precisa do antes, pois senão não terá fim...
Muito bem, pena que agora é tarde e tenha que aprender assim...
-Deu seu último suspiro e morreu, pobre rapaz, que achava que apenas de futuro, a vida se faz.



Coração fora de suas veias. A vida.


Sob resquícios de uma primavera,
Espera meu bem, espera
Espera por um novo mundo assim,
Pequeno assim
Como um solstiço de inverno
Intervindo na minha vida
Soprando um vento
Um vento no relento
Pois quero viver
Viver intensamente
No ponto da mente
No ponto da gente
Que toca
E toca sem razão
Não dando vazão
Não dando vazão no amanhecer
E se assim for
Que seja
Apenas pra ver
Para ver um novo mundo
Pro mais triste morimbundo
Que chora pra viver
Mas que seja
Pois quero viver
Viver Intensamente
Como se hoje fosse
O último dia
E tivesse de dizer
Que sim
Que não
Só que é apenas mais um
Apenas mais um verão
E voltando à questão de viver
Viver intensamente
E esperar
Por um mundo pequeno assim
Um mundo de cetim
Feito pra mim
Sem mais intervenções
Explico esse lado meu de ser, de ter
Que ver o amanhecer
Numa tarde mais escura
Perdendo tempo pra falar do coração
E neste assunto sinto que não sei
E paguei pra ver o amor em vão
Me vi assim perdida nas ondas
Nas curvas do coração
Que clamando por ajuda
Pedem pra ficar
E curar sua dor
Mas não se iluda
Não se deixe levar pela ajuda de quem te odeia
E odeia te ver são
E amassa pouco a pouco sofrido coração
E esse que vai batendo
Bombeando
Recebendo
A vida
A vida perdida em vão
"Longe das veias, chateação
deixe-me só, somente degradação"
Arranco tal membro, uma força a dentro
"Sai de mim doce perdão,
leva ele contigo, perdido coração"
Num instante de temor
Quando nada se encaixa
Tudo para
para
e para
A dor se esvai
Só que me trai maldita flor
Fror no peito sem vida se mostra e cai
"Se esvai tristeza, me deixa, infeliz
Traz aquela paz esperada
Só que de tão desalmada
Deixa o desgosto dessa vida
que por causa desse poema
acabou-se, foi perdida"
08/09/2006


Poema do Reconstruto

Perfura minha alma e prende
Reaprende a amar
Suspira fundo e converte
Reconverte-se no altar
Machuca o corpo e fere
Refere-se ao andar
Rotula minha sombra e corre
Acorrenta-se ao terror
Luta contra a vida e pára
Repara na paixão
Some e derrete como cera
Dilacera ferido coração

Crônicas do Metrô (Parte I)

Para o Trabalhador Brasileiro (vulgo coitado)



Dia de trabalhador é fogo. Sabe aquele trabalhador que sempre se ferra, aquele que trabalha muito, ganha pouco, o trabalhador brasileiro mesmo, o do povão.
Todo dia de manhã é a mesma coisa: Ônibus, trem, metrô. Trabalha, trabalha. Metrô, Trem, ônibus. As pessoas parecem estar tão acostumadas a essa rotina que nem sequer se importam mais, dormem no ônibus e esperam que a boa vontade de outra pessoa em avisá-la quando chegar o ponto final. E tem todo um contexto sobre isso, as tribos do Metrô são diferentes das tribos do ônibus e do Trem.
No ônibus as coisas parecem ser um pouco mais civilizadas, cheios de perdão, com licença e por favores que ecoam antes e depois da catraca. Ninguém se aperta no ônibus, não como no metrô.
O trem é fedido, não sei porque, mas acho que os vômitos acumulados são limpos com o mesmo pano que se utiliza para limpar o trem todo, particularmente o cheiro é de ovo, não há como negar. O trem também é silencioso, parece que as pessoas evitam falar, principalmente nos horários de pico, de manhã, quando todos estão indo para o trabalho é um momento de concentração algo como uma luta interna para que o ser acorde literalmente, a pessoa fica tão desanimada de pensar quanta coisa você tem que fazer no trabalho, que não tem forças para se expressar. Na volta para casa há um misto de esperança de assistir a novela das sete e um cansaço de pensar na louça que juntou do café e do almoço.
O metrô é dinâmico, todos lutam por um espaço numa competição pela sobrevivência, que no caso significa entrar no metrô. Alguns cantam uma música imaginária silenciosamente e fazendo expressões bizarras, outros simplesmente olham para o nada. O certo é que tudo está uma loucura. Há aqueles que sabem de cor as estações e ficam competindo para dizer tudo antes do condutor, ou daquela voz horrível eletrônica....
Várias coisas no Metrô são inexplicáveis, como o fato das pessoas não ficarem paradas do lado direito das escadas rolantes. Vai um aviso:

O LADO ESQUERDO DAS ESCDAS ROLANTES TÊM QUE FICAR LIVRE!

Este lado é o lado dos desesperados, aqueles que acabaram de acordar e lembraram que têm de trabalhar, os atrasados para encontros, aqueles com pressa mesmo, e não para velhinhas que têm o dia todo para ficar observando a passagem.
Deus olhe por nós...e por todos aqueles que pegam metrô....

Crônicas do Livro Azul (Parte III)


 
Para a SSO



-Cinthia comparecer a SSO. Cinthia SSO.
Deliciosa transferência da linha azul para a linha vermelha. E sempre escutei esse chamado e ficava imaginando o que era a SSO, talvez um lugar mágico exclusivo dos funcionários do metrô, ou quem sabe o lugar pra levar bronca, SSO, um quase SOS,  não sei, o caso é que um dia, nesses em que você tem certeza que não vai chegar no trabalho a tempo, a revolução começou; pessoas balançavam o vagão, milhões de cabeças esperavam para entrar numa brecha qualquer para evitar serem despedidos, àquela altura vários já ligavam para seus chefes:
-Cara, aqui ta uma loucura, avisa o Cleiton que num vai dar pra ir no trampo não...
O caso é que havia um homem na minha frente, um pouco frenético, meio estranho. Iniciou seu diálogo:
-Oi.    
Dei uma risadinha que significava, ahã ta bom.
-Esse metrô está muito cheio hoje...não é?
-Sempre está.
-Mas hoje está mais.
-É...
-Menina?
-O que?
-Acho que estou passando mal.
-Ah, Deus, só essa que me falta...Cara, você tá enjoado?
-Sim.
Acho que não são necessárias explicações sobre o que aconteceu a seguir, mas por um milagre eu consegui afastar muitas pessoas abrindo um buraco no meio o vagão. É nessas horas que você entende que as leis da física não se aplicam na vida real pois haviam muitos corpos ocupando o mesmo espaço naquele momento.
A porta abriu. Era a Sé. Momento complicado, todos querendo sair, os que tentaram entrar desistiram, outros já passavam mal só de olhar aquela massa rosa e creme que se estendia pelo vagão. O menino saiu meio zonzo e por mais que eu quisesse não podia deixá-lo ali segundo as leis do metrô (Cada um por si e toma cuidado senão te assalto), por isso levei o litlle vômito pra falar com um daqueles carinhas do metrô que carregam soberbos em seus peitos: “ Embarque com Segurança”....Nunca entendi muito bem o que aquilo significava, mas me interessei muito acerca do concurso para trabalhar naquele local.
-Ele está passando mal...Já passou na verdade...
-Ah, bom, vamos levá-lo para a SSO.
A SSO. Não acredito era a minha chance, finalmente eu ia conhecer aquela sigla misteriosa em seus mínimos detalhes, Service Security Office, a Sala Secreta Oficial, a Só Sai Ordenado, enfim chegou o dia.
-Acho que vou acompanhá-lo.
Conforme as escadas rolantes elevavam-me meu coração batia mais forte. Estava mais perto. Quando chegamos ao piso superior, não me contive, acelerei o passo, fui um pouco mais rápido e quando chegamos em frente....
A SSO era um postinho. Uma salinha de tão pequeno. Era fedido e Sujo. Tinha vários Jovens Cidadãos na frente e alguns uniformes verde fluorescentes, e era azul e tinha em branco três letras grafadas SSO. O pior de tudo. Eu passava lá todos os dias.
Foi neste dia decepcionante que conheci a SSO.

1 de fevereiro de 2011

Uma Outra História

Nossas mentes tão distintas
Às vezes nos fazem brigar.
Nossos jeitos tão estranhos,
Às vezes nos fazem chorar.
De vez em quando, não entendo você.
Somos de outro planeta?
Acho que não.
Toca fundo no coração,
Esse jeito estranho de pensar
Que às vezes me faz parar,
E olhar em volta.
Somos tão diferentes assim?
Bom, acho que esse é o fim.
Não
Espere
Há outra coisa dentro de mim
Que quero expressar.

Pensei que tudo era assim
Uma chatice sem fim
Mas daí olhei em volta
E vi você na porta
Tentando me encarar
Bati a porta com entusiasmo
E depois abri
Disse
Por mais que eu queira não querer
uma coisa que não muda é meu amor
por você.

Sem querer, entrei na sua vida sem você perceber
E de mansinho fui chegando
Te conquistando
E quando te entendi fui crescendo
E aos poucos aprendendo
Que amar
Não é só um sentimento
É uma coisa que vem de dentro
Que a gente esconde
E expõe
Não sei aonde
E se às vezes não te entendo
Deve ser uma parede que me impede
Mas não me peça
Não me peça pra repetir tudo aquilo
                              que você já sabe]
Pois com você
não tenho indagações a fazer
Penso que é tudo que tenho a dizer
Mas não
Digo que amo
Você.

Sim, por mais que eu queira não querer
Uma coisa que não muda
É meu amor por você.