19 de janeiro de 2012

Crônicas do Livro Azul

                                                                                                                                     Para a Felicidade 
     
Minha vida está de cabeça para baixo. Não posso dizer porque, mas está. Todos os dias pessoas como eu, como você, tentam entender ao menos o que estão fazendo por aqui. Alguns dizem que quando se encontra a felicidade, tudo se encaixa, descobrimos o sentido da vida e vivemos felizes, felizes para sempre. Esse caminho, no entanto é longo e não pode ser alcançado por todos. A felicidade é um conceito que segue os princípios da desigualdade social, se todos forem felizes, o mundo não funciona, alguém deve ser triste para que uma minoria possa ser, de fato, feliz. Percebi que a busca pela felicidade é extremamente importante e não querendo ser clichê, mas existencialmente, Guimarães Rosa estava certo. A busca pela felicidade e a busca pelo eu, deve ser feito por você, sozinho. Ninguém alcança a felicidade em conjunto. A felicidade já está lá e daí há a junção de duas felicidades que fazem com que você se torne ainda mais feliz. Só que existem dois tipos de felicidade; a felicidade daqueles que você ama porque sempre fizeram parte da sua vida e aquela que você alcança com alguém que você conhece um pouco depois de ter nascido. Mas as felicidades são diferentes. Ainda que você seja feliz, se sentirá infeliz se quiser a outra felicidade e não puder alcançá-la. A felicidade estabelecida por aqueles que já faziam parte da sua vida se torna um felicidade que você sempre teve e que faz parte de você, mas a felicidade alcançada junto àquele que te promete o mundo e seu coração, faz com que você se sinta incompleta sem ele, é um vazio que nem mesmo aquele que compartilhou seu nascimento não poderá preencher e no fundo todos sabemos disso, somente fingimos não saber, esquecemos de propósito para não sermos pegos de surpresa pela busca de felicidade de pessoas que amamos e sempre pensamos que o amor que doamos, durante uma vida inteira bastaria para que aquela pessoa fosse feliz. Só que a busca pela felicidade é subjetiva. Sempre foi e sempre será. Cabe à nós aceitarmos e sermos suficientemente compreensivos para aceitar que talvez a pessoa ao nosso lado esteja somente buscando sua felicidade e não somos melhores ou superiores ao ponto de impedir que essa busca ocorra, nem mesmo se isso não nos agradar. O agradável é fazer com que aqueles que amamos sintam-se livres o suficiente para sempre nos querer por perto, mesmo estando distantes. Se um dia, a distância se transformar em necessidade não foi a perda do amor que ocorreu. Foi apenas a busca pela outra felicidade que teve início.               

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