Dois bois brigam por uma vaca
Para o Tio Ginel
-Mas tio, como foi que o senhor ganhou aquele dinheiro na loteria mesmo?
-Ah...mais isso foi há um tempo atrais, nem mi alembro mais...o fato era que eu estudava numa escola, dessas de interior mesmo, chamava Alberto Paivini, nunca me esqueço...e o fato era que tinha lá uns cuzinheiros que sempre me davam um pãozinho de manhã, antes d’eu ir pra escola sabe?
-Assim, do nada?
-Como?
-Davam o pão do nada, sem motivo?
-Ah, não, filha, nesse mundo nada é de graça...eu levava pra eles uns joguinhos do bicho, isso era pra eles apostarem mesmo, aí eu que sabia tudo, sabia di cor todos os números..é...o treze era a borboleta...
-Ah..
-Nunca mi’esqueço disso...e o caso foi que um dia eu tava indo pra lá, e passei na frente de um pasto, sabe que naquela época era tudo assim, só mato, num se via nada nesse mar de terra, e daí que eu vi, dois bois, assim, um de frente pro otro com os chifre mesmo um empurrando pra lá e o outro pra cá, mais, num dei importância pr’aquilo e fui m’imbora...quando eu voltei di lá, o caso foi que os bois continuavam lá, brigando, um di frente pru otro...
-Ficaram lá o dia inteiro?
-Oi?
-O DIA TODO?? SE FICARAM LÁ O DIA TODO?
-Ah...sim, devem de ter ficado...só sei que matutei c’as minhas idéias...bom, mais dois bois brigando, só pode ser por causa d’uma vaca...
-É, tio o senhor tem razão, dois bois só brigam por uma vaca...
-Daí, minha mãe sempre me dava um dinherinho, era...tres mil contosdi reis na época, e eu falei: Hoje eu jogo no bicho! E vai dar vaca, na cabeça! E aí fui lá, joguei meu joguinho, e sabe, quando a gente joga a seco ganha mais, só sei que ganhei mesmo, sozinho...
-E era muito dinheiro?
-Nem mi alembro dereito, mais acho que era um valor que minha mãe usou pra ajudar nas conta de casa...
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