7 de janeiro de 2011

I Do Belive...In Angels??

Façam Suas Apostas

                                                                                               Para o Jack

O caso foi que quando eu era pequena vivia naqueles prédios da vinte e três de maio andando pra lá e pra cá, esperando a hora do almoço ou jogando bey blaide (se alguém não sabe mais o que é isso, por favor, não me diga) Enfim, numa dessas vezes, conheci uma mulher que trabalhava literalmente(e clandestinamente) com jogo do bicho. Era uma lojinha pequena, com uma porta de metal que dava pra um balcão enorme que encobria bem os papeizinhos que ficavam expostos numa caixa.
Começamos a conversar e descobri que a mulher também, bordava, fazia ponto cruz. Numa segunda feira, lá estava eu, aprendendo a fazer ponto cruz (eu sempre gostava de aprender a fazer as coisas, por mais inúteis que pudessem parecer naquela hora).
Um dia, na lição de “como não deixar nó atrás da toalha”, ela me disse:
-Você sabe que meu gato sente a minha falta né?
-Como assim?
-Olha só..- E saiu da lojinha, fingindo que ia embora.
O gato ficou mesmo apavorado e saiu correndo atrás dela.
Primeira coisa estranha do dia.
Depois do costumeiro grito do senhor Paulo, perguntando o que tinha dado, e que aquela altura da coisa, eu já respondia pra ele:
-Gato na cabeça!! – E continuava a aula de bordado como se nada tivesse acontecido, mas naquele mesmo dia, fui tomar um chá na casa dela, que era em cima da loja (a essa altura já tem um monte pensando em pedofilia, é inevitável, eu sei...assista  As Crônicas de Nárnia e tente não pensar nisso) Mas naquela época de verdade, por sorte ou acaso, foi só um chá. E quando entrei no apartamento me deparei com milhões de estátuas de anjos, pequenas, grandes, enfim, muitas...Vendo minha surpresa ela disse:
-Sabe, eu acredito muito em anjos...
-Ah..
-É porque eu já vi um anjo, ele apareceu pra mim...
-Entendi...E você mora aqui com seu gato preto e seu anjos..
-Basicamente sim, estou pensando em me mudar, esse apartamento é muito pequeno, cheio de pêlos de gato...
-Mas o gato...
-Não, o Jack, coitado, não solta muitos pêlos, deve ser pêlo de cachorro...
-A senhora tem um cachorro então?
-Não.
-Bom, acho que está na hora do almoço, volto amanhã pra próxima aula...
Depois daquele dia, de verdade, não sei se foi pelo anjo, pelo gato, quem sabe se foi pelo aprendizado técnico em jogo do bicho, nunca mais vi a mulher. Voltei para o escritório do meu pai e resolvi que brincar de bay blade, só no corredor do escritório, mas eu lembro que antes de nunca mais voltar ao prédio eu dei tchau pra ela: Cachorro, na pata!  



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